WhatsApp e o foco na segurança digital: guia de boas práticas do “super app” de mensagens

10 de fevereiro de 2026
WhatsApp segurança digital
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O WhatsApp deixou de ser apenas um aplicativo de mensagens. No Brasil, tornou-se infraestrutura social, ferramenta de trabalho, canal de vendas, meio de pagamento e porta de entrada para serviços digitais. Em um país onde a digitalização avança rapidamente, o aplicativo se consolidou como um verdadeiro “super app” no cotidiano de milhões de pessoas. No entanto, quanto maior a centralidade da ferramenta, maior também a responsabilidade sobre sua segurança.

Recentemente, uma ação judicial apresentada em um tribunal distrital de São Francisco, nos Estados Unidos, reacendeu o debate sobre privacidade no aplicativo. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, a ação acusa a Meta de armazenar, analisar e acessar mensagens privadas de usuários do WhatsApp. O texto alega que a criptografia de ponta a ponta não garantiria, na prática, a privacidade prometida.

O WhatsApp, por sua vez, afirma que utiliza criptografia de ponta a ponta baseada no protocolo Signal, garantindo que apenas remetente e destinatário tenham acesso ao conteúdo das mensagens. Isso levanta muitas dúvidas e reforça a principal questão: “o WhatsApp realmente é seguro?”.

De mensageiro a “super app”

Hoje, o WhatsApp é um dos aplicativos mais utilizados no Brasil. Ele está presente em praticamente todas as camadas da sociedade e é usado diariamente para:

  • Conversas pessoais
  • Comunicação profissional
  • Atendimento ao cliente
  • Vendas e negociações
  • Transferências financeiras
  • Relacionamento com marcas e instituições

Atualmente o app integrou o sistema de anúncios dentro da plataforma. Agora é possível anunciar dentro dele, aparecendo os anúncios entre os status, assim como funciona em outras redes sociais que possuem stories, como o Instagram.

Ainda há integração com Pix, bancos, pagamentos por imagem e até recursos de inteligência artificial, o que também ajudou a transformar o aplicativo em uma plataforma de serviços. Essa evolução trouxe conveniência, mas também aumentou a criticidade da conta de cada usuário.

Quando o aplicativo concentra comunicação, dados pessoais e transações financeiras, qualquer falha de segurança deixa de ser apenas um incômodo e pode passar a representar risco real ao patrimônio e à identidade digital, causando muita dor de cabeça ao usuário.

WhatsApp é seguro? Entendendo a polêmica

A criptografia de ponta a ponta significa que as mensagens são embaralhadas no envio e só podem ser decodificadas no dispositivo do destinatário. Nem mesmo o provedor do serviço teria acesso ao conteúdo, segundo o modelo técnico adotado.

A Meta sustenta que o WhatsApp utiliza o protocolo criptográfico Signal para garantir esse nível de proteção. No entanto, especialistas em cibersegurança destacam que a maior parte dos riscos enfrentados pelos usuários não está necessariamente na criptografia em si, mas na forma como as contas e dispositivos são utilizados.

Ou seja, a tecnologia pode ser robusta, mas o elo mais vulnerável costuma ser o comportamento do usuário ou a proteção inadequada do aparelho.

Onde estão, de fato, os maiores riscos?

Os principais riscos associados ao uso do WhatsApp hoje envolvem:

  • Roubo ou perda de celulares desbloqueados;
  • Golpe do chip (SIM swap), em que criminosos transferem o número da vítima para outro chip;
  • Falta de autenticação em múltiplos fatores;
  • Engenharia social, quando o usuário é enganado para compartilhar códigos de verificação;
  • Uso do WhatsApp integrado a serviços financeiros sem configurações adequadas de segurança.

O chamado “golpe do chip”, por exemplo, permite que criminosos assumam o controle da conta ao receber o código de verificação via SMS. A partir daí, podem aplicar fraudes financeiras e solicitar dinheiro a contatos da vítima.

Há diversas notícias hoje em dia sobre esse tipo de golpe, o que evidencia que está se tornando cada vez mais comum e mais difícil de saber quem está por trás daquela foto de perfil que antes parecia conhecida. Algumas dicas de segurança para esses tipos de golpes, principalmente financeiro são:

  • Sempre se atentar a forma como a pessoa por trás das mensagens está se portando;
  • Confirmar com conhecidos se estão recebendo a mesma mensagem (há uma grande chance de ser golpe);
  • Pensar se o comportamento daquela pessoa está normal
  • Desconfie sempre que pedirem dinheiro assim;
  • Se a pessoa usar a foto de perfil de um conhecido falando que mudou de número e pede por dinheiro, tenha cuidado e desconfie;
  • Se um amigo ou familiar pedir dinheiro, ligue para ele ou faça uma chamada de vídeo para confirmar, pois o WhatsApp pode ter sido clonado.

WhatsApp como ferramenta financeira e de negócios

A integração com Pix e outras soluções financeiras elevou o nível de criticidade do aplicativo. Hoje é possível realizar transferências, pagamentos e interações comerciais diretamente pelo app.

Isso significa que a conta deixou de ser apenas um canal de conversa, tornou-se uma extensão da vida financeira do usuário.

Quanto mais estratégico o uso, maior deve ser o cuidado com segurança. Falhas simples, como ausência de verificação em duas etapas ou falta de bloqueio biométrico, podem resultar em prejuízos significativos.

Boas práticas para aumentar a segurança no WhatsApp

A proteção começa no comportamento. Algumas medidas simples reduzem drasticamente os riscos.

Segurança no celular

  • Ativar bloqueio biométrico no WhatsApp
  • Utilizar senha forte no aparelho
  • Configurar bloqueio automático de tela
  • Bloquear imediatamente o aparelho em caso de perda ou roubo

Proteção contra roubo de conta

  • Ativar o PIN do chip (SIM) junto à operadora
  • Habilitar verificação em duas etapas no WhatsApp
  • Nunca compartilhar códigos de verificação recebidos por SMS
  • Desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro, mesmo que pareçam vir de contatos conhecidos

Segurança financeira

  • Definir limites baixos para Pix
  • Estabelecer restrições de horário para transações
  • Liberar valores maiores apenas para contatos previamente cadastrados e confiáveis

Segurança no WhatsApp Web

  • Utilizar senha de acesso ao computador
  • Ativar verificação em duas etapas
  • Revisar sessões ativas regularmente
  • Evitar redes Wi-Fi públicas
  • Fazer logout em dispositivos compartilhados

Essas medidas não eliminam todos os riscos, mas reduzem consideravelmente as vulnerabilidades exploradas por golpistas. Além disso, recentemente, para garantir ainda mais segurança dentro o App, o WhatsApp deseja implementar algumas novas regras sobre maior idade.

O WhatsApp deve implementar novas configurações de privacidade no Brasil para se adequar às exigências do Estatuto da Criança e do Adolescente no Ambiente Digital (ECA Digital), que passa a estabelecer regras mais rigorosas de proteção online para menores de 18 anos a partir de março de 2026.

As mudanças, identificadas em versões de teste do aplicativo, indicam que contas de adolescentes terão ajustes automáticos nas configurações de privacidade. A proposta é reduzir a exposição de dados pessoais e limitar o contato com desconhecidos.

Entre as alterações previstas, o recurso “visto por último” não poderá mais ficar visível para “Todos”, sendo restrito a “Meus contatos”. O recado do perfil também deverá ser exibido apenas para pessoas salvas na agenda, além de possíveis limitações em links que direcionem para outras redes sociais.

As atualizações ainda estão em fase de desenvolvimento e devem ser liberadas gradualmente em futuras versões do aplicativo, reforçando a proteção digital de jovens usuários no país.

Identidade digital e confiança nas interações online

O crescimento do WhatsApp como plataforma multifuncional revela um ponto central quando o assunto é segurança digital, dependendo tanto da tecnologia quanto da validação confiável da identidade.

Grande parte das fraudes não ocorre por falha na criptografia, mas por exploração de falhas de autenticação e engenharia social. Criminosos se passam por vítimas porque conseguem assumir o controle da identidade digital vinculada ao número de telefone. Por isso, proteger a identidade é um dos pilares da segurança digital.

O papel da Soluti na proteção da identidade digital

Em um ambiente cada vez mais conectado, empresas que atuam com identificação e autenticação digital desempenham papel estratégico. A Soluti, referência em certificação e identidade digital, atua justamente na proteção das interações online, garantindo autenticidade, integridade e validade jurídica em ambientes digitais.

A experiência mostra que tecnologia sozinha não resolve. Segurança exige infraestrutura robusta, validação de identidade confiável e comportamento consciente do usuário.

À medida que o WhatsApp se consolida como parte essencial da vida cotidiana dos brasileiros, amadurecer a cultura de segurança digital torna-se indispensável. Afinal, quando o aplicativo concentra comunicação, negócios e finanças, proteger a conta significa proteger a própria identidade.

 

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