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O Brasil vem se consolidando, ano após ano, como um dos principais protagonistas quando o assunto é infraestrutura digital. O país vive um verdadeiro boom na expansão de data centers e, em 2025, atingiu um marco relevante, pois a capacidade de colocation cresceu cerca de 20% em relação ao ano anterior, alcançando 1,1 Gigawatt (GW). O avanço acompanha a crescente demanda de hyperscalers (hiperescalas) e a aceleração contínua dos serviços em nuvem, segundo dados da Jones Lang LaSalle (JLL).
Esse movimento reforça uma tendência clara sobre a infraestrutura digital tornando-se um ativo estratégico para o desenvolvimento econômico e tecnológico. E, nesse cenário, o Brasil não apenas acompanha o crescimento global, mas assume uma posição de liderança na América Latina.
A expansão do setor, detalhada no Latin America Data Center Report 2026, revela um mercado ainda concentrado tanto geograficamente quanto entre operadores. Isso indica que escala e localização seguem como fatores críticos de competitividade, especialmente em um contexto de crescimento acelerado impulsionado por aplicações de inteligência artificial e computação em nuvem.
Em 2025, a região da América Latina registrou a entrega recorde de 184 Megawatt (MW) de nova capacidade no segmento de colocation, superando o pico anterior de 141 MW, alcançado em 2022. Nesse modelo, empresas alugam infraestrutura para hospedar seus servidores e equipamentos, garantindo escalabilidade e eficiência operacional.
Transformações e mudanças de paradigma
No mercado de data centers, a lógica de expansão vem passando por uma transformação importante. Projetos que antes eram medidos em metros quadrados agora são avaliados principalmente por sua capacidade energética, expressa em megawatts (MW).
Sendo assim, uma nova mudança pode ser refletida com essa nova realidade, o que define o valor estratégico de um data center é sua capacidade de processamento, diretamente ligada à disponibilidade de energia.
O cenário internacional e o papel do Brasil na América Latina
Embora a demanda continue concentrada em mercados centrais, regiões secundárias e terciárias começam a ganhar relevância à medida que operadores buscam ampliar cobertura e qualidade de serviço.
Ainda assim, a expansão em 2025 permaneceu altamente concentrada. Apenas alguns submercados responderam por 82% da nova capacidade entregue na região. Entre os destaques de crescimento desde 2019 estão:
- Querétaro (México): +199 MW
- Campinas: +149 MW
- São Paulo & Barueri: +128 MW
- Santiago (Chile): +120 MW
Esse movimento evidencia a ascensão do México ao lado do Brasil como motores de crescimento regional.
Atualmente, o Brasil concentra cerca de 48% da capacidade instalada total da América Latina, com São Paulo, Barueri e Campinas formando o maior cluster de data centers da região. México, Chile e Colômbia completam o grupo dos principais mercados, enquanto regiões secundárias seguem menos exploradas, mas cada vez mais estratégicas.
Além de São Paulo
Historicamente, o estado de São Paulo concentrou a maior parte da infraestrutura de data centers no Brasil. No entanto, esse cenário começa a mudar.
A saturação de áreas tradicionais, aliada à limitação de energia e terrenos disponíveis, tem impulsionado a migração para novos polos, como Campinas, que se destaca pela maior disponibilidade de espaço e acesso a subestações, e outras regiões emergentes.
Além disso, estados como o Ceará ganham protagonismo com projetos robustos, impulsionados pela proximidade com cabos submarinos e potencial energético.
No Centro-Oeste, com operação em Goiás e alcance nacional, a Everest Digital se posiciona como um dos players estratégicos na evolução da infraestrutura digital ao operar o primeiro data center da região com certificação Tier III na modalidade Managed Service Provider (MSP).
Na prática, isso significa oferecer uma infraestrutura de computação em nuvem altamente disponível, segura e gerenciada, capaz de sustentar operações críticas em um cenário de crescente demanda por processamento de dados. Empresas como a Soluti, principal autoridade certificadora do Brasil, contam com a infraestrutura da Everest Digital para garantir a operação crítica de seu portfólio de produtos e serviços.
Com a ascensão da Inteligência Artificial, a empresa consolida um portfólio de serviços essenciais, atendendo organizações que dependem de alta performance, confiabilidade e escalabilidade. Essa capacidade operacional reforça o papel dos data centers como base estruturante para a economia digital, viabilizando desde aplicações corporativas até soluções avançadas de IA.
Perspectivas de crescimento e desafios estruturais
O Brasil segue liderando o setor na região, representando 48% da capacidade instalada e cerca de 71% da capacidade em construção. Campinas, em especial, desponta como o submercado com crescimento mais acelerado, impulsionado por um pipeline robusto de novos projetos.
Ao final de 2025, o cenário de colocation na América Latina apresentava os seguintes números:
- Inventário: 1.105 MW
- Vacância: 9%
- Entregas no ano: 184 MW
- Em construção: 683 MW
- Pré-locação: 26%
- Pipeline: 3.889 MW
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios importantes. A concentração em poucos polos evidencia um desequilíbrio estrutural, enquanto limitações de energia e disponibilidade de terrenos nas grandes cidades impulsionam a busca por novas regiões.
Mercados secundários como Fortaleza, Porto Alegre e até Lima começam a atrair novos investimentos, indicando uma possível reconfiguração do mapa de infraestrutura digital nos próximos anos.
Infraestrutura estratégica para a economia digital
Data centers são, na prática, o “cérebro físico” da economia digital. É neles que operam sistemas de inteligência artificial, plataformas de streaming, serviços financeiros digitais e aplicações corporativas em nuvem.
O avanço da inteligência artificial generativa intensificou ainda mais essa demanda. Modelos de IA exigem infraestrutura robusta, com milhares de servidores e alta capacidade de processamento para lidar com volumes massivos de dados em tempo real.
Nesse contexto, data centers passam a ocupar um papel equivalente ao de infraestruturas tradicionais, como rodovias e redes elétricas. Países que conseguem atrair esse tipo de investimento fortalecem sua competitividade e ampliam sua capacidade de inovação.
O que falta para o Brasil avançar ainda mais
Apesar do cenário promissor, o Brasil ainda enfrenta desafios relevantes para consolidar sua posição no cenário global. Questões como carga tributária elevada, custos de infraestrutura e entraves regulatórios podem limitar o ritmo de crescimento.
Ainda assim, o potencial é significativo. Com uma matriz energética majoritariamente renovável, um mercado consumidor robusto e crescente demanda por serviços digitais, o país reúne condições únicas para se consolidar como um dos principais hubs globais de infraestrutura digital.




