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As carteiras digitais de identificação cidadã deixaram definitivamente de ser uma tecnologia experimental. Elas estão se consolidando como infraestruturas essenciais para a forma como pessoas e empresas comprovam identidade, compartilham informações verificadas e acessam serviços digitais em ambientes cada vez mais regulados.
O que começou como aplicativos simples para armazenar cópias digitais de documentos evoluiu para sistemas sofisticados de identidade, capazes de permitir que indivíduos apresentem credenciais criptograficamente verificáveis diretamente de seus dispositivos. Esse modelo reduz a exposição de dados pessoais, elimina processos repetitivos de verificação manual e estabelece um novo patamar de confiança digital.
Em todo o mundo, governos, instituições financeiras, provedores de identidade e plataformas corporativas passam a convergir para as carteiras digitais como base para integração segura, transações internacionais e reutilização de identidade com alto nível de garantia.
Após anos de projetos-piloto, 2026 marca o início da escala global dessas soluções, agora sustentadas por estruturas formais de confiança, com governança aplicável, regras claras de responsabilidade, laboratórios acreditados e programas certificados de conformidade.
EUDI e eIDAS como pilares de confiança na União Europeia
Na União Europeia, esse avanço é impulsionado pela Carteira Europeia de Identidade Digital (EUDI) e pelos marcos regulatórios do eIDAS, que estabelecem níveis regulados de segurança, interoperabilidade transfronteiriça e confiança jurídica. A expectativa é que todos os Estados-membros disponibilizem uma carteira digital oficial até o fim do ano de 2026, criando um ecossistema integrado em que identidades eletrônicas possam ser reconhecidas e utilizadas entre países, setores e serviços distintos.
O eIDAS, cuja sigla significa Identificação Eletrônica, Autenticação e Serviços de Confiança, foi fundamental para esse cenário ao criar um quadro único para identificação eletrônica e serviços de confiança, garantindo que sistemas nacionais de identidade sejam mutuamente reconhecidos e que credenciais digitais possam ser aceitas como prova em processos administrativos e judiciais. Esse modelo fortalece a segurança das transações eletrônicas, reduz custos operacionais e aumenta a eficiência de processos tanto no setor público quanto no privado.
Além disso, o Reino Unido também está trabalhando para um futuro digital ainda mais confiável e tecnológico. Com o GOV.UK Wallet, os cidadãos poderão salvar documentos do governo no seu celular usando um aplicativo de forma segura e simples. Assim, poderão comprovar informações como idade, identidade ou elegibilidade para serviços.
Os usuários também vão poder usar versões digitais dos documentos da mesma forma que os modelos em papel ou cartão. Porém, não será possível adicionar documentos não governamentais, como ingressos de trem ou shows, à carteira GOV.UK. O aplicativo estará disponível em breve no Reino Unido.
Estados Unidos com a consolidação das mDLs
Em paralelo, os Estados Unidos avançam na consolidação das mobile Driver’s Licenses (mDLs), ou Carteiras de Habilitação digitais. Atualmente, cerca de 41% da população vive em estados onde as mDLs já estão ativas, enquanto aproximadamente 76% residem em estados com programas em operação ou em desenvolvimento. Esse amadurecimento reflete uma transição clara de iniciativas isoladas para uma aceitação cada vez mais ampla em ambientes de alta criticidade.
Companhias aéreas, aeroportos, órgãos governamentais e serviços regulados passaram a aceitar identidades digitais como meio legítimo de comprovação, sinalizando que as carteiras acessadas através do smartphone estão deixando de ser apenas convenientes para se tornarem instrumentos confiáveis de identificação oficial.
Wallets privadas e ampliação do suporte a documentos digitais
Esse movimento também se reflete no crescimento das carteiras privadas, como a Apple Wallet e o Google Wallet. A Apple, por exemplo, já permite que documentos elegíveis sejam adicionados à carteira digital para comprovação de idade ou identidade em locais selecionados, ambientes online e aplicativos, reduzindo a dependência do documento físico. A proposta é colocar a identidade “na palma da mão”, com segurança e praticidade.
O Google Wallet, reformulado em 2022, segue uma lógica semelhante ao reunir cartões de pagamento, ingressos e outros itens digitais em um único ambiente. Embora o foco inicial não tenha sido identidade oficial, o avanço do ecossistema indica um caminho natural para a incorporação de credenciais digitais verificáveis, acompanhando a evolução regulatória e tecnológica observada globalmente.
Um novo modelo de identidade digital no mundo
O avanço das carteiras digitais representa muito mais do que conveniência. Trata-se de um novo modelo de identidade, baseado em princípios como divulgação seletiva de informações, credenciais reutilizáveis e verificação proporcional ao risco.
Com a divulgação seletiva, o usuário pode comprovar, por exemplo, que é maior de idade sem revelar sua data de nascimento, ou confirmar um vínculo empregatício sem expor todo o histórico profissional. As credenciais reutilizáveis reduzem atritos em interações recorrentes, mantendo altos níveis de segurança e confiabilidade. Já a verificação proporcional ao risco permite ajustar o nível de exigência conforme a criticidade da transação, evitando a coleta excessiva de dados em operações de baixo impacto.
Esse modelo resolve um desafio histórico das organizações, o de verificar identidades de forma contínua sem a necessidade de armazenar sempre os dados sensíveis, equilibrando privacidade e segurança de maneira mais eficiente.
Como funciona a Carteira Digital de identidade?
As carteiras modernas operam em um modelo de confiança descentralizado, estruturado em três papéis principais:
- Emissor, que verifica informações e emite credenciais digitais;
- Detentor, que armazena essas credenciais em sua carteira;
- Verificador, que solicita prova de identidade ou de um atributo específico.
Quando uma verificação é solicitada, o usuário analisa exatamente quais dados serão compartilhados, consente com a solicitação e a carteira gera uma apresentação criptograficamente assinada. O verificador pode validar, em segundos, a autenticidade da credencial, sua integridade, seu status de revogação e a legitimidade do apresentante tudo isso sem acessar bases centrais ou armazenar dados pessoais a longo prazo.
O Brasil diante os avanços e seus limites e oportunidades
No Brasil, o aplicativo Gov.br já disponibiliza a aba “Carteira de Documentos”, que reúne documentos oficiais como RG Digital, CNH, CPF, Certificado de Habilitação Técnica (CHT/ANAC) e a Consulta de Situação Militar, com possibilidade de ampliação futura. Esse avanço representa um passo importante na digitalização do Estado e na centralização de documentos oficiais.
No entanto, é importante destacar que, diferentemente das soluções europeias baseadas em identificação digital forte, o Gov.br atualmente oferece assinatura avançada, e não a assinatura qualificada baseada em certificado ICP-Brasil. Isso indica que ainda há espaço significativo para evolução, especialmente quando se observa o alinhamento internacional em torno de infraestruturas de confiança mais robustas.
Exemplos como as certidões digitais, que possuem plena validade jurídica por serem assinadas com certificados ICP-Brasil, mostram que o país já dispõe de fundamentos sólidos para ampliar esse modelo. Desde 2019, com a atualização do Decreto nº 9.929, esses documentos permitem maior agilidade em processos jurídicos e administrativos, mantendo segurança, autenticidade e confiabilidade.
Soluti como protagonista no Brasil
O cenário global aponta para um amadurecimento irreversível das carteiras digitais de identidade, com governança clara, aceitação institucional e forte base criptográfica. No Brasil, esse movimento ainda está em consolidação, mas avança de forma consistente, abrindo espaço para soluções que conciliem inovação, privacidade e segurança jurídica.
A Soluti se posiciona como uma empresa comprometida com a evolução da identidade digital no país, apoiando a construção de modelos alinhados às tendências globais de infraestrutura de confiança. Com foco em segurança da informação, conformidade regulatória e experiência digital, a Soluti contribui para que novas tecnologias de identidade sejam adotadas de forma segura, confiável e juridicamente válida, facilitando rotinas e promovendo uma transformação digital sustentável.


